terça-feira, 27 de março de 2012

Sereno da Madrugada - "Modificado" (2010)




Por Marcio Proença

Considerado por críticos e público um grupo carioca de samba moderno composto por talentosos músicos, o Sereno da Madrugada vem contribuindo para a revitalização do atual cenário do samba trafegando entre a tradição e a inovação sem deixar de lançar mão de novas versões para clássicos como “É luxo só” de Ary Barroso em parceira com Luiz Peixoto. A trupe já está na estrada desde 2005 e tem em sua discografia o álbum intitulado “Modificado” desde 2010 pela gravadora  Biscoito Fino. Formado pelos músicos Alfredo Alves (percussão), Fernando Temporão (Violão de 7 cordas e voz), Miguel Garcia (Cavaquinho) e Patrícia Oliveira (Voz), Sereno da Madrugada se apresentou em diversas casas noturnas da Lapa, tradicional bairro boêmio da cidade maravilhosa, passando por Brasília, São Paulo e chegando aos palcos internacionais como de Paris, Portugal e Genebra vendo sua música amadurecer e diversas composições de universos distintos surgirem, originado um conjunto de obra autêntico e contemporâneo. Além das composições de autoria do grupo há também o resgate de sambas até então pouco conhecidos do grande público como a faixa título “Modificado”, samba composto pelo saudoso compositor Padeirinho da Mangueira, que segundo a comentarista musical Eugênia Rodrigues escreveu para o site Samba & Choro, “é uma música que filosofa sobre as influências que outros gêneros musicais foram emprestando ao samba ao longo do tempo, e como essas influências – a despeito do que sempre disseram os mais puristas – podem ser mais do que positivas: podem ser criativas. Ao ouvirem esse samba pela primeira vez, os integrantes do grupo sentiram-se devidamente embasados para darem seu próprio recado.” Imprescindível não dar destaque para faixas como “Própria Luz” composta e interpretada por Patrícia Oliveira que conta com o apoio do arranjo elaborado pelo pianista Kiko Horta que participa da gravação passando daí em diante os arranjos das demais faixas para as mãos de Bernardo em “Promessa de felicidade” (Miguel Garcia) e “Copo de agonia” (Fernando Temprão). As faixas “Teu viver foi ilusão” e “Mangueira dos frutos rosa” da autoria de Miguel Garcia, têm seus arranjos assinados pelo próprio grupo em parceira com João Callado. Com arranjo de Alessandro Cardozo, “É luxo só”, faixa que encerra o álbum, conta com a participação do violinista Nicolas Krassik e deixa claro que a modernidade sabe dialogar com a tradição  perpetuando ainda mais a verdadeira música de ontem e hoje produzida em nosso país.

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